despir-se de supérfluos, dentro de uma concepção filosófica, que eu entendo aqui como uma concepção que compreende a origem dos temas tratados, significa não apenas um passo para a ascese, mas pode ser um comportamento intrínseco a determinada cultura. A atitude dos hippies (uma vez ouvi ou li não sei aonde que este termo não existe, ou possui uma acepção totalmente diferente – ah! pode ter sido, lembrei, quando expus e convivi um pouco com os "hippies" lá em Itaúnas – daquela usada nos anos 60 ou popularmente concebida. Mas como ouvi a palavra do Prof. Jacyntho há poucos dias, não há mais dúvida de que posso usá-la). Retomando, a atitude dos hippies segue este pensamento de livrar-se do peso dos tabus, dos valores materiais e harmonizar-se com os elementos naturais, extraindo da natureza os produtos que ela oferece como sementes para fabricação de adornos e até alucinógenos. Também o povo indígena é um exemplo da integração humana à natureza e à própria natureza animal do homem.
O pé descalço, símbolo de humildade para os franciscanos, talvez pudesse também ser entendido como gesto de integração ao natural, ao ambiente, e de igualização com o outro, com as outras pessoas. No folclore brasileiro, na cultura popular brasileira é frequente ver danças e rituais musicais realizados com os pés no chão. O forró, por exemplo, quando dançado de forma até, eu diria, extática, as sandálias são deixadas de lado. Esta ação promove ainda uma aproximação maior, no sentido de "ficar igual" com a comunidade ali reunida para dançar.
Em lugares em que se quer estabelecer este contato mais direto com a paisagem natural, é possível passar vários dias – os nativos passam mais tempo, é claro – descalço.
Pé descalço é um modo de tomar um rumo pessoal para onde se quer ir em determinado momento.
aproveito para homenagear a Cris, mestre em educação pela fae/ufmg e "mamãe noel" todo ano.