sábado, 31 de maio de 2008

Mousse de chocolate



Homens, eu sei que suas papilas gustativas não gostam de entrar em contato com o gosto doce. E que a maioria de vocês, como eu, gosta de manter uma certa distância de um aparelho eletrodoméstico que solta chamas. Bom mesmo é discar para um serviço de entrega ou, melhor ainda, ir até o bom e velho restaurante, pois assim, não é necessário nem bagunçar nada. E a casa mantém-se limpa e fresca!

Mas por essa receita de mousse, facílima, divina, vale qualquer penitência!

Ingredientes

3 ovos
200g de chocolate meio amargo
2 colheres de sopa de açúcar
1 lata de creme de leite

Modo de preparar

(a batedeira faz tudo pra você!)
1. Bata bem as gemas até dobrar de volume, junte o açúcar e continue batendo.
2. Derreta o chocolate em banho-maria e acrescente à gemada, junte o creme de leite sem soro e por fim as claras em neve.
Leve a gelar até o dia seguinte.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A velha pergunta

Tem dias em que não vejo sentido nisso tudo. Outros há em que vejo todo o sentido e o sabor na experienciação de passar pela existência.
Hoje era um desses dias em que percebo a fascinação que o ser humano possui intrinsecamente. Esse fascínio pode ser exercido no outro, caso este esteja com os olhos (não os relacionados à informação visual processada pelo lobo occipital) bem abertos.
Pela manhã, reguei as margaridas, lavei pratos, xícaras e talheres. Atendi o telefone, era meu pai. Fui ao sapateiro. À tarde, cheguei cedo ao trabalho e, casualmente, topei com um texto que me emocionou. Era o relato da Ana Elisa Ribeiro sobre o dia do lançamento de seu terceiro e mais recente livro. Inspirada, fiz meu prazeroso trabalho de postagem de conteúdo em uma seção de resenhas literárias no site do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (CEALE-FaE/UFMG), além de buscar imagens de capas de livros, contatar pessoas agradáveis e interessantes e fechar a sala com uma boa sensação de "dia produtivo". Depois de fazer um lanche em um horário em que a cantina está ainda tranquila, cruzei a roleta da faculdade, em direção ao prédio em que começa a minha noite, o da faculdade de Letras.
Cruzo, então, com duas senhoras de idade em torno de 70 anos. Uma delas, vestia uma blusa com a sigla Proef (Programa do Ensino Fundamental, ou algo assim). Imediatamente, pensei na sabedoria que aquelas mulheres possuem, um conhecimento que, talvez, o jovem professor do Proef ainda não acumulou. Elas já passaram por experiências tais como a criação de filhos, a opressão masculina e a privação cultural. Hoje, saem de lugares às vezes distantes e chegam à sala de aula para aprenderem o que não tiveram a oportunidade de fazê-lo há anos. Isso é um dos pedaços premiados da vida, que, quando temos a sorte de encontrar, nos lembramos de que o ser humano possui alguma grandeza.
Em entrevista a Roberto D´Ávila, a grande historiadora Mary Del Priori salientou que entrou para a faculdade já com três filhos, fez vestibular amamentando. Sua intenção foi dizer que não há idade para se descobrir a verdadeira paixão, ou para viabilizá-la. O notável e delicioso está em concretizar e viver o sonho.
Ao final da minha segunda aula, a sala já sem ninguém e a professora de saída, faço a ela uma pergunta, respondida por um colega, o qual a turma inteira é unânime em classificar como, no mínimo, inconveniente. Eu, impacientemente, digo que depois faria a pergunta, longe dele. A ira me subiu à garganta. Um amigo perguntou se eu estava "de TPM", me abraçou e disse: "Você está precisando de amor." No ônibus, sentei no lugar reservado aos idosos, lá na frente, na janela, com a cabeça virada o tempo inteiro para fora, na direção contrária à dos outros passageiros, querendo chorar, gritar, explodir.
O dia havia se transformado em um daqueles desesperançosos. Cheguei em casa com a velha pergunta no pensamento:
Qual o sentido disso tudo?

terça-feira, 27 de maio de 2008

É vero!

Grupo Corpo apresenta espetáculo ao ar livre no campus Pampulha


O campus Pampulha recebe, nesta quinta-feira, 29 de maio, às 18h30, o Grupo Corpo. Com apresentação ao ar livre, no gramado da Reitoria, a atração será composta por dois espetáculos: 7 ou 8 peças para um ballet e Benguelê. A entrada é franca.

O espetáculo 7 ou 8 peças para um ballet nasce a partir de oito temas surgidos da parceria entre o instrumentista e compositor norte-americano Philip Glass e o grupo Uakti. Inspirado nas composições, o coreógrafo Rodrigo Pederneiras desvencilha-se do rigor formal que marca suas criações para construir uma obra despojada, em que a partitura de movimentos surge como uma série de esboços, apontamentos ou estudos para uma coreografia.

Benguelê incorpora sequências de capoeira e gestos das danças de festas de São João e dos Congados à dança contemporânea. A coreografia é de Rodrigo Pederneiras, com trilha sonora do compositor João Bosco.

A atração integra o ciclo Sentimentos do Mundo, organizado pela Universidade. Conforme observa o professor Maurício Campomori, diretor de Ação Cultural, o programa surgiu no ano passado para comemorar os 80 anos da UFMG, mas, diante do seu sucesso, a instituição decidiu continuar com os espetáculos no campus. “Nossa intenção é realizar uma apresentação de grande porte a cada semestre, como aconteceu em 2007 com os grupos Galpão e Uakti”, anuncia.

Fonte: Notícias da UFMG

Entrada franca

E por falar nisso...

www.guiaentradafranca.com.br

O site é muito legal. Traz a agenda de eventos em BH.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Boato

Parece que o Corpo estará quinta-feira, dia 29, às 18 horas, na grama da Reitoria da UFMG.
Depois passo aqui para confirmar.

sábado, 24 de maio de 2008

Horóscopo

Desde fevereiro, meu horóscopo dá: "introspecção", "intuição", "sensitiva", e afins. E eu, desde a virada do ano, naturalmente me voltei para mim mesma. Me inscrevi em (mais) uma tentativa de mudança para melhor e para atingir a expectativa, evitei noite, cerveja e apego. Estou estudando o que gosto e, por isso, a reclusão chega a ser prazerosa. Só abri a porta da rua hoje porque o horóscopo aconselhava "contato com a natureza" há dias. Concentrada para a próxima batalha.
Feriado de preparação, de recuperação de uma gripe (de derrubar) e de tratamento de um início de período menstrual (sempre incômodo).
E a prova é amanhã.
Assim, um poema de Ana Elisa Ribeiro.
Porque o prazer é necessário para encarar a vida.

Peças de madeira em pau-marfim

A linha dos olhos
faz flechas da cor de futuros
As mãos formam conchas
de pegar contentamentos
Os pés são grandes como
as telas holandesas realistas
O corpo inteiro é um tabuleiro
de jogar jogos de azar
As costas quadriculadas
As coxas quadriculadas
A boca quadriculada
Onde eu me finjo
de dama

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Vez de Bela

Uma vez que havia aceitado, ficaria até o fim do jogo.
Depois da oitava rodada, vamos todos para a sala tomar um cafezinho?
Dona Leila gostava muito de juntar as visitas na sala para que contassem casos, falassem sobre os filhos e trocassem receitas.
Bela, não. A idéia de mais do que cinco pessoas reunidas (incluindo ela própria) representava uma situação tão repulsiva, que ela chegava a dar dois passos para trás, mudar a expressão facial e ter taquicardia cada vez que a madrinha pronunciava as palavras: “todos”, “sala” e “cafezinho”. Sempre recusava os convites para o carteado ou, se aceitava, ia embora antes de acabar a partida, evitando, assim, o cafezinho na sala.
Aquele dia, porém, Dona Leila estava premiando os vencedores do carteado com uma leitoa assada bem carnuda, propositalmente bem temperada. Bela, dessa vez, teria que participar da hora da merenda, caso contrário, não experimentaria sequer o gosto da disputa pelo adiposo suíno.
E foram para a sala.
Via todos ao mesmo tempo, mas não enxergava o rosto de cada um. As vozes eram misturadas, agudas, graves; as risadinhas ora sobressaíam em meio aos diálogos, ora ficavam como som de fundo para uma entonação diferente na fala de um cavalheiro. Os talheres batiam nas louças, as cadeiras eram arrastadas enquanto a campainha tocava. O pó de açúcar refinado já se espalhara no ambiente, com o roçar apressado dos dedões nos indicadores.
Bela se desconcertava, a sala era o centro de uma cidade grande: gente indo e vindo, falatório, buzina, mastigação. Sentia suas peças de roupa sendo tiradas como se ela fosse massa folhada se desfazendo em camadas que se destacam nas mãos das senhoras magras. Assim, ela ficava nua no canto da sala.
Sua xícara já estava vazia, mas, ainda assim, fazia o gesto de levá-la à boca para não ficar de mãos abanando. Sentia um cheiro intenso e desconhecido. Olhando em direção à janela, via dois cavalheiros e fumaça saindo das bocas.
Uma voz feminina firme foi ouvida subitamente.
–Vamos todos para a mesa iniciar a nona rodada?
Os convidados voltaram-se para a porta que levava à sala de jogos e lá estava Bela, a coluna muito ereta, queixo e sobrancelhas levantados, braços ao longo do corpo com os punhos virados para cima, a expressão aguardando uma resposta dos jogadores.
Uma senhora mexia seu café tomando cuidado para que a colherzinha não batesse nas paredes da xícara. Um cavalheiro se esforçava por mastigar a torrada bem devagar, de forma a não fazer barulho. Os olhos estavam todos arregalados ou quase isso.
Em seis segundos as pessoas recomeçaram a se movimentar, recolhendo as xícaras, as taças, as bandejas e já se ouvia: “-Vamos, vamos, sim!”, “-Já estamos voltando!”
Dona Leila agradecia a gentileza e a cooperação de todos e pedia que assumissem seus lugares na mesa redonda, dizendo que já, já, estaria com eles.
Bela segurava agora um iminente Royal flash, com seqüência de Dez ao Rei. Durante a décima quinta e última rodada, os convidados ouviram a voz dela apenas duas vezes: uma, se desculpando por haver espirrado. Outra, anunciando seu Ás de copas.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Essa é pra dançar!

Tive um fim de semana altamente dançante!
Sábado à noite, com a seleção feita pelo Alfredo, anos 80 e 90.
Domingo, com o samba da Velha Guarda da Portela, Teresa Cristina e Monobloco. Maravilhoso. Nem o excesso de gente atrapalhou a energia. O boteco vencedor foi o da Cida e o torresmo, também!

E vem comigo dançar,
dançar, dançar, dançar

sábado, 17 de maio de 2008

Despedida

Meu amigo Alfredo vai morar looooonge... em um lugar muito agradável, onde mora gente fina, que nem ele.

Nos conhecemos na Oficina de pandeiro da Danuza Menezes, lá no Tambor Mineiro, em 2004 ou 2005, hein?
Combinamos de ir juntos à tradicional festa à fantasia da Lud. Depois, nos encontramos para ouvir boa música, conversar, ir ao cinema. Ele me apresentou amigos legais, que se tornaram meus também. Ouviu minhas confidências e eu as dele. O Alf me acompanhou até no forró!

Hoje é a despedida dessa doce figura.

Espero que a gente possa se rever em breve.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Ela me deu o seu amor, eu tomei

No dia 16 de maio, viajei


Espaçonave atropelado, procurei


O meu amor aperreado


Trecho da letra de Táxi Lunar

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Corrupção da Arte

Em uma entrevista para o programa Agenda, da Rede Minas, o ator Walmor Chagas disse o que está claro aos nossos olhos, mas, sob o ponto de vista do artista: houve um desvio do que seria, na realidade, a atuação. Segundo ele, o profisional que atua em teatro pode, com facilidade, atuar no cinema e na televisão. A televisão seria um meio em que esse trabalho se dá de forma medíocre. Quando o ator se propõe a encenar uma peça, ele conhece a obra, recebe um personagem bem definido e tem condições de estudá-lo. Da mesma forma acontece no cinema: o ator lê o roteiro, sabe aonde a personagem vai chegar. "Na televisão, você entra como bonzinho. Daqui a pouco, descobre que é o assasssino ou vice-versa.", diz ele.

Além disso, há o fato de os atores se venderem. Hoje, as pessoas, especialmente as jovens e bonitas, são incluídas no elenco da novela do horário nobre e dali partem para a propaganda de bancos, supermercados, ajudam a vender revista, xampu e assim a emissora garante maior disputa entre os anunciantes.

Eu relaciono o que o Walmor Chagas falou na entrevista com o que minha amiga Patrícia, mestranda em Filosofia na UFMG, comentou sobre o Pedro Bial. A discussão, no mínimo, inútil, que ela contou que assistiu no programa Altas Horas, confirma a descida de um profissional do jornalismo ao fundo do poço.

Outra situação triste que acontece no Brasil é a sujeira que fazem com a música. Tão triste que, ao invés de comentá-la, prefiro citar um exemplo ao contrário. Um verdadeiro artista não precisa de mais que um instrumento, para ser bem tocado ou de sua voz, para dizer versos trabalhados para nosso deleite. Assim é Geraldo Azevedo, em suas apresentações que dispensam megaprodução. A música Taxi Lunar foi feita por um trio forte artisticamente, modelo de música brasileira genuína. Os três compositores são: Alceu Valença, Geraldo e Zé Ramalho.

terça-feira, 13 de maio de 2008

sábado, 10 de maio de 2008

Para minha mãe

Foto: Juliana

Minha mãe veio comigo para BH descansar de tarefas rotineiras da casa, refrescar o pensamento e variar as imagens que observa onde mora. Na feira de flores, das manhãs de sexta-feira, de frente ao colégio Arnaldo (onde estudou Guimarães Rosa; descobri nesse dia em que passamos por lá), buscamos este vaso de margaridas. Da fazenda Realidade, para onde fomos no feriado de 1 de maio, ganhamos essa delícia de licor, feito de jabuticaba que dá na propriedade.

Parafraseando o cartão que a minha amiga Pat deu a ela, na despedida, a mamãe fez nossa casa receber um calor igual ao colo de mãe.

Eu agradeço por ter pessoas que me têm carinho e espero estar retribuindo da mesma forma.


Tabacaria

...
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que
comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de
estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
...
Álvaro de Campos, 15/ 01/ 1928.

domingo, 4 de maio de 2008

Ao sorriso

Ao sorriso de uma pele de chocolate, inspirado ao dançar forró.

Margaridas
Quando me encontrei
Em plena decadência física,
Realcei os músculos
Que não tive jamais,
Com um pouco mais de panqueique.
Para saber se choveu de madrugada,
Veja se riem as margaridas.
Caso não as tenha,
chova você.
Caso não tenha sequer panqueique,
use a pasta de dentes
Afinal,
pra que serve sorrir?

Renato Fraga

sábado, 3 de maio de 2008

Avião

37 mil pés
Acima das estrelas
Meus pés



Juliana/setembro 2006
Vôo de Salvador para Belo Horizonte

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Diversão e arte

Ao fundo, obra do Amilcar de Castro, que pode ser vista aí, na Praça da Liberdade.
Vários concertos podem ser ouvidos e/ou vistos por 1 real (50 centavos a meia entrada) no Palácio das Artes, esse fim de semana.

E agora, convido quem está lendo a ouvir e/ou ver "Comida", tocada pelas duas grandes bandas de rock brasileiras.