terça-feira, 23 de setembro de 2008

Me organizando (de novo)



Liquidei aquela pasta "Para ler" que criei em uma das caixas de e-mail. Havia bastante texto interessante - Twitter, livro de Hannah Arendt, crônica de Millôr Fernandes, coluna da Ana Elisa Ribeiro -, foi bom.

Depois, esvaziar a pasta de mesmo nome da outra caixa de e-mails, o que demandará mais inspiração, já que está tudo em espanhol. Estou guardando para fazer o que seria uma "grande aula de Espanhol". Farei durante um fim de semana (terei muitos só para esvaziar pilhas de coisas para ler, daqui para frente).

"Quero colocar minha vida em dia", disse a Prof. Dra. Graça Paulino na última reunião do GPELL (Grupo de Pesquisas do Letramento Literário).

Eu, por outro lado, preciso não apenas ler o que está na pasta "Para ler", ler os livros da pilha (mentalmente nomeada) "Para ler" e acessar a disciplina online em que eu (se arrependimento matasse...) me matriculei esse semestre. Preciso, também, organizar minha cabeça, meus sentimentos, meus desejos, minhas escolhas.

Minha ex-chefe, a Marta, muito querida, dizia:
_ Minha cabeça tá igual à minha mesa; minha mesa é o reflexo da minha cabeça.

domingo, 21 de setembro de 2008

Sensação de zero grau

Domingo branco
frio
mudo

Eu falei
o necessário
para nos curar

Mas isso provoca secreções
doloridas
e um vão profundo

Eu não posso suportar
esse buraco branco
impiedoso

Até que aquiete o efeito
colateral
e minha pena seja cumprida

Nossa saúde devolvida
por um movimento completo
do ar dentro do peito

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Abrir-se


Gioielli, Décio.
A mbira da beira do rio Zambeze/Décio Gioielli; organização de Heloisa Pires Lima; ilustrações de Suppa; fotos Marie Ange Bordas. – São Paulo: Moderna, 2007.
Do qual falei na postagem "Em dia de calor"

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

... eu tento te esquecer
a minha vida continua,
mas é certo
que eu seria sempre sua
quem pode me entender?

Leoni

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Quê que é aquilo?!

Eu nunca vi uma chuva de "granito" (hihihi!) tão fortemente vigorosa quanto a que caiu há pouco em BH. As pedras de gelo eram perfeitamente redondinhas, grandes e caíram MUITAS delas, numa velocidade e força de fazer um barulhão e deixar a grama toda branquinha.
Achei que o mundo estava acabando!


terça-feira, 16 de setembro de 2008

Anzol

É um domingo nublado de manhã. A comunidade de Barra do Riacho se dirige à escola para participar da oficina de poesia.
Barra do Riacho é um povoado próximo a Aracruz, no litoral do Espírito Santo. Há alguns anos, a atividade econômica principal era a pesca. Agora, a indústria se estabeleceu, levando mais empregos, mais gente, contaminando o ar e modificando o modo de viver das pessoas desabituadas à violência.
Na oficina, há meninas e meninos de variada faixa etária e algumas mães, professoras ou não. O grupo musical Seresta Viva inspira a produção poética. É formado por senhores marcados pela vida, que chegaram à Barra do Riacho vindos da Bahia e de outros lugares. Renato leva temas para serem desenvolvidos pelos alunos. O de hoje são os acordes da música.
“Sem a noção do que é bom, não há como mudar o que é ruim. Se não, você não sabe contra o que está lutando, o que quer mudar e o que deve permanecer.”, diz Leylany, 30 anos. “Poesia não é só escrever rima, e sim o que a gente sente.”, Suéllen, 15.
E então, o que disse o Renato poderia ser a conclusão do projeto:



__Não espero poesia, mas que eles estejam bem.


Iniciativa Social Projeto Anzol

Escrevi depois da leitura do livro - Que arte é essa? A arte como forma de comunicação em comunidades. Autora: Náira Malze. Vitória: GSA, 2005. – que o Renato me deu em fevereiro de 2008.



Na foto, Renato e Tiemi. Gosto tanto de vocês!!!

sábado, 13 de setembro de 2008

Pragmático

É só só pausar o pensamento uns segundinhos e dar play em outra direção, que chegamos à conclusão de que aprender catalão ou ser jogador de bocha “serve para alguma coisa”.

O direcionamento provocado pelo capitalismo no modo de enxergar a vida que o homem contemporâneo apresenta é extremamente perigoso ao rumo das relações interpessoais, com a natureza e ameaça a evolução.

“Tenho só 25 anos, um ano de formada e já trabalho em uma das escolas mais bem conceituadas de Belo Horizonte, onde os índices de aprovação no vestibular são altíssimos.”, disse uma pessoa em um debate sobre formação humana e Vigotzky.
É - ou deveria ser - bastante claro para uma pessoa que completou quatro, cinco ou seis anos de ensino superior, que alunos de qualquer nível escolar, da EJA (Educação de jovens e adultos) ou da educação informal, não institucionalizada, enfim, estão - às vezes sem saber - estudando para se formarem cidadãos.

O índice de aprovação no vestibular é insuficiente para avaliar a qualidade de uma escola. É como se fôssemos comparar a gestão de um prefeito que ofereceu rede de esgoto e atendimento psicológico a uma cidade com outro que pintou os meio-fios de branco e reformou a fachada (a fachada!) do hospital municipal.

Há uma variedade de indivíduos bem sucedidos no vestibular e na profissão, mas que, tomados por uma visão parcial do contexto em que se inserem, atuam na sociedade de forma preconceituosa, convencional e corrupta.

Então, para que serve aprender flauta doce se eu não vou prestar vestibular para música, não pretendo formar uma banda, nem nada? De que forma posso ser útil à sociedade sendo um simples estudante de grego? Os atletas que participaram das Olimpíadas fizeram o quê de bom, a não ser para eles próprios? Trouxeram (no caso do Brasil) algum benefício para o país que representaram? Link

Vejo essa questão como a de não jogar lixo pela janela. Já pensou se cada um estivesse ocupado fazendo algo saudável, ao mesmo tempo em que se preocupasse com a coletividade, se sentisse tocado pelo que acontece na periferia da cidade e do planeta?
Certamente haveria uma montanha muito menor de lixo andando e sorrindo pela rua.

O conta-gotas, a tarefa de grão em grão são o que poderá fazer com que tudo, não apenas a escola, se modifique, para que o fim constitucional do bem comum e o objetivo de cada um, ter felicidade, se viabilize.


ps.: Ensaio sobre a Cegueira estréia hoje, né?